História dos Páras

A guerra no ultramar

Ao iniciar-se a Guerra Colonial, os paraquedistas foram a primeira força portuguesa projetada para o continente africano, chegando a primeira Companhia de Caçadores Paraquedistas a Angola no dia 16 de março de 1961, apenas um dia após o massacre da UPA. Com o desenrolar do confilto, esta companhia seria reforçada, subindo de escalão para batalhão, denominado Batalhão de Caçadores Paraquedistas n.º 21 (BCP 21). Entretanto, perante a necessidade de aumentar a capacidade de formação de novos paraquedistas no BCP, este sobe também de escalão para regimento, passando a designar-se Regimento de Caçadores Paraquedistas (RCP), em 5 de maio de 1961, constituído por dois batalhões, o Batalhão de Instrução (BI) e o Batalhão de Caçadores Paraquedistas n.º 11 (BCP 11).


O RCP formou e enviou companhias de caçadores paraquedistas, primeiro para Angola e depois para a Guiné e Moçambique. As Tropas Paraquedistas tornam-se a principal força de intervenção das Forças Armadas Portuguesas, nos primeiros tempos da guerra, juntamente com algumas companhias de caçadores especiais do Exército. As suas companhias destacadas em África dariam origem a batalhões independentes:


Batalhão de Caçadores Paraquedistas N.º 21 (BCP 21) — Luanda (Angola), 8 de maio de 1961] – 1 de janeiro de 1975;

Batalhão de Caçadores Paraquedistas N.º 31 (BCP 31) — Beira (Moçambique), 8 de maio de 1961 – 31 de março de 1975

Batalhão de Caçadores Paraquedistas N.º 32 (BCP 32) — Nacala (Moçambique), 9 de novembro de 1966 – 31 de outubro de 1974

Batalhão de Caçadores Paraquedistas N.º 12 (BCP 12) — Bissalanca (Guiné), 20 de outubro de 1966 – 15 de outubro de 1974.

As Tropas Paraquedistas tornar-se-iam das unidades mais ativas em combate nas teatros de operações de Angola, Guiné e Moçambique. A maior parte das suas acções de combate foram operações helitransportadas, usando-se os helicópteros Alouette III e Puma da Força Aérea. No entanto, são também realizadas algumas operações em que os militares são lançados de paraquedas, normalmente, a partir de aviões Nord Noratlas (operações Quipedro e Zeta).


Paralelamente às Tropas Paraquedistas regulares, a partir de 1970, o Comando-Chefe das Forças Armadas Portuguesas em Moçambique criou os Grupos Especiais como unidades etnicamente homogéneas de tropas de assalto, constituídas por militares africanos, enquadrados por graduados portugueses. Pouco depois, foram criadas unidades deste tipo, mas com capacidade paraquedista, que ficam conhecidas por Grupos Especiais Paraquedistas (GEP). Os GEP receberam um treino semelhante ao dos caçadores paraquedistas, sendo enquadrados por militares paraquedistas da Força Aérea. Os GEP identificavam-se pelo uso de uma boina vermelha, sendo as primeiras tropas portuguesas a usar uma boina desta cor.


Após a Revolução de 25 de Abril e consequente final da Guerra Colonial, em 1975 foram desativadas as unidades paraquedistas no Ultramar. Em abril de 1975, ainda foi enviado o Destacamento de Caçadores Paraquedistas N.º 1, para o Timor Português. Alguns meses depois, esse destacamento foi responsável pela cobertura da retirada do último governador português de Timor, Mário Lemos Pires, para a ilha de Ataúro, tendo depois realizado incursões para resgatar militares portugueses que se encontravam aprisionados em Timor. Perante a invasão indonésia, o destacamento e o governador embarcaram em navios da Marinha Portuguesa e retiraram do território.Os paraquedistas regressariam 25 anos depois a Timor, no âmbito da missão da ONU UNTAET.


Em 10 de novembro de 1975, os paraquedistas do BCP 21 são os responsáveis pela prestação de honras ao último arrear da Bandeira de Portugal em Angola, sendo o batalhão desativado no dia seguinte, terminando oficialmente o domínio português em África. Ao longo dos 14 anos em que combateram em África, as Tropas Paraquedistas Portuguesas projetaram cerca de 9000 militares para este continente, tendo 160 perdido a vida (10 oficiais, 23 sargentos e 127 praças).