A história das Tropas Pára-quedistas Portuguesas

“Há que conservar as memórias passadas contra a tirania do tempo e contra o esquecimento dos homens”1 Padre António Vieira (1)


Francis J. Gavin, professor da Johns Hopkins University, no ensaio "What if we are wrong?", na procura da definição de História, cita Marc Block que sublinhara que a mesma não é uma oficina de relojoaria, nem um gabinete de engenharia, mas sim um esforço para melhor compreender algo em constante movimento. Muito recentemente, Miguel Monjardino, periodista e professor universitário, citou também Gavin, que definira História como um discurso em mutação, tecendo depois considerações complementares ao tema. Nas mesmas salientou que, devido a esse movimento, a perspetiva histórica depende muito da geografia e do momento em que a avaliação dos factos é feita, face à contínua evolução do pensamento universal. Por outro lado, se não forem sendo tomados apontamentos sobre os acontecimentos passados, a memória sobre eles resultará difusa e enviesada, podendo mesmo falseá-los. Pelos efeitos que produzem, os verdadeiros motores da História são os detentores do poder político, mas também económico, diplomático, de opinião, etc., de cada Estado ou coligação. Este será tanto mais efetivo quanto mais vincadas forem as chamadas forças profundas, há muito relevadas pelos professores franceses Pierre Renouvin e JeanBaptiste Duroselle (2) . Essas forças são materializadas pela geografia, no seu sentido mais amplo, pelo passado das nações ou suas associações, pelo carácter nacional (consciência coletiva do valor relativo de si mesma), pela língua, pelas religiões professadas, etc. A Instituição Militar é integrada por homens e mulheres que, pelo papel social que lhes está consignado ou, por vezes, por eles e elas assumido, são também motores da História e outras vezes, sobretudo, objeto da mesma. Desta forma, resolvemos publicar esta Cronologia das Tropas Paraquedistas em Portugal, memória sintética dos acontecimentos ocorridos entre 1956 e 2021, que considerámos relevantes no contexto nacional, de modo que não se venha a tornar difusa e até enviesada uma futura avaliação dos mesmos. Procurámos, na sua feitura, afastar a sempre presente subjetividade e indicar a bibliografia consultada, não esquecendo que a História é algo em movimento, quer pela contínua evolução do pensamento humano, quer pela descoberta de novos factos. A Cronologia é apresentada inicialmente por factos que antecederam a criação das Tropas Paraquedistas em Portugal, depois os relativos à criação destas Tropas e o seu desenvolvimento (1955/1975), época em que foram formadas, instruídas e treinadas com o maior rigor e destinadas a combater numa guerra de contrassubversão; seguidamente, face à alteração estratégica decorrente do fim da guerra em África e no período da guerra fria, adequadas afincadamente a esse novo ambiente (1975/2006) e, desde essa data mas já integrados no Exército, capacitadas e empenhadas em operações de apoio à paz e operações de repatriamento de nacionais não combatentes. Em todas essas fases, são bem visíveis os esforços de manutenção do melhor conhecimento e do saber fazer das Tropas Paraquedistas para se equivalerem, no estado da arte, às melhores existentes noutras geografias. Por último, dedicamos esta Cronologia a todos que, como eu, se sentem honrados por terem servido Portugal nas Tropas Paraquedistas, a quem dedicaram todo o seu esforço e saber, honrando o lema da Casa Mãe” Que Nunca Por Vencidos Se Conheçam”. 

Oeiras, 1 de dezembro de 2021

Carlos Manuel Chaves Gonçalves MGen (Ref)


1 Vieira, Pe António, Sermão de Nossa Senhora de Penha de França, Lisboa, 1652. Citações e Pensamentos. Lisboa: Ed. Casa das Letras, 2010, p. 69.

2 Renouvin,Pierre, Duroselle, Jean-Baptiste. Introduction a L’Histoire des Relations Internationales. Paris, Armand Colin, 1970.

     ANTECEDENTES

     CRIAÇÃO E EXPANSÃO DAS TROPAS PARAQUEDISTAS EM PORTUGAL (1955-1960)

(26Jan) - Uma Companhia de Paraquedistas seguiu, em aviões DC-4 da FAP, para a ilha do Sal (Cabo Verde), Bissau (Guiné) e ilha de S. Tomé, com a missão de intercetarem um possível desembarque dos assaltantes do paquete Santa Maria. A operação não chegou a ser desencadeada, devido ao paquete ter rumado ao Brasil, e então estes paraquedistas seguiram para Moçambique.

(16Mar) - No dia seguinte aos graves incidentes ocorridos na noite de 14/15Mar, no norte de Angola, marchou por via aérea para Luanda, onde desembarcou a 17Mar, o primeiro contingente de paraquedistas, maioritariamente da 1ª CCP, constituindo o Destacamento Avançado de Combate, sob o comando do Capitão Costa Campos. Nesse mesmo dia marcharam para a zona afetada pelo terrorismo. Em Abril e com igual destino foi projetada a 2ª CCP e, um mês mais tarde, a 3ª CCP. Ao marcharem para Angola, alguns dos primeiros Páras foram ainda armados com Pistolas-metralhadoras FBP, dias depois trocadas pelas Espingardas-automáticas 7,62mm AR 10 - Armalite, fabricadas na Holanda e levadas com essa finalidade pela 2ª CCP.

(29Abr) - No Norte de Angola, na região de Mucaba, as tropas paraquedistas sofreram o seu primeiro morto em combate. o Sold Joaquim Afonso Domingues.

(1961) Foi criado o Regimento de Caçadores Paraquedistas (RCP) pela Portaria 18462, de 05Mai61, com sede em Tancos, no aquartelamento do BCP, que pela mesma legislação foi extinto. Até final do ano a Unidade continuou a ser interinamente comandada pelo Tenente-coronel Monteiro Robalo, por indisponibilidade do comandante, Tenente-coronel Cor Martins Videira. Faziam parte integrante do novo Regimento, nomeadamente o Batalhão de Instrução (BI) e o Batalhão de Caçadores Paraquedistas nº11 (BCP 11). Durante os treze anos seguintes, seria também missão ciclópica do RCP selecionar, recrutar, formar e instruir todos os paraquedistas de que necessitava, bem como os Oficiais, Sargentos e Praças necessários para os quatro Batalhões de Paraquedistas em África. Este pessoal marchava em rendição individual e diluída no tempo, para que o alto nível operacional atingido pelos 4 Batalhões de destino se mantivesse.

(08Mai) - Foi constituído o Batalhão de Caçadores Paraquedistas nº 21 (BCP 21), nos termos do art.º 9 do Decreto-Lei 42073, de 31Dez58, e pela Portaria 18464 em Luanda/Angola, ostentando o seu Guião a divisa “Gente Ousada Mais Que Quantas” (Lusíadas, V, 41). Porém, já desde 17Mar se encontravam empenhados operacionalmente em Angola paraquedistas, os quais constituíram o Destacamento Avançado de Combate. No regresso a Luanda, após o ciclo das primeiras operações, foi reconstituída a 1ª CCP, sob o comando do Capitão Curado Leitão, a qual passou a ficar alojada na Fortaleza de S. Miguel, o seu primeiro aquartelamento. 

Com a chegada da 2ªCCP, não havendo espaço disponível na Fortaleza, foi esta instalada em Belo Horizonte, na estrada do Catete, sob o comando do Cap Heitor Almendra. Quanto à 3ª CCP, ela foi sedeada no Hangar Velho, sob o comando do Ten Veríssimo. Apesar da diferente localização das Companhias, desde 02Jun61fora nomeado, como o primeiro dos comandantes do BCP 21, o Tenente-coronel Alcínio Ribeiro. Porém, porque não aconselhável, a dispersão citada conduziu à decisão do SEA, em 05Jun62, de mandar construir um aquartelamento próprio para o BCP 21, na região de Belas, cerca de 12Kma sul de Luanda. Em 12Abr64 as Companhias de Paraquedistas instalaram-se na área onde viria a ser construído o seu aquartelamento.

(1961) Foi também constituído o Batalhão de Caçadores Paraquedistas 31 (BCP31) pela já referida Portaria 18464, na Beira / Moçambique, ostentando o seu Guião a divisa “Honra-se a Pátria de Tal Gente”. Contudo, já desde o final de Jan61 estavam em Lourenço Marques dois Pelotões, constituindo o Destacamento Avançado de Comando de Paraquedistas e, com condições mínimas, aquartelados no Depósito de Material de Guerra, de Moçambique. O efetivo foi sendo incrementado paulatinamente e, só em 06Mar64, viria a tomar posse o primeiro dos comandantes do BCP31, o TCor Ferreira Durão. 

É de realçar que por empenhamentos operacionais diversos e alguma indefinição da localização da sede do Batalhão, só em 01Dez66 foi instalado oficialmente na Beira, ainda que em condições precárias. Então, o Tenente-e-coronel Seixas, já comandante da Unidade, conseguiu obter todo o cimento necessário para a edificação do BCP 31, na modalidade pro bono, fornecido pela cimenteira localizada no Dondo/Beira. O edificado do Aquartelamento do Batalhão foi totalmente construído, com o esforço dos Páras, nos curtos intervalos de recuperação entre as suas missões operacionais, em Cabo Delgado ou em Tete. O Tenente Capelão Martins, sempre atento e disponível para participar no esforço coletivo de melhoria das condições de vida do pessoal, para além do apoio espiritual que sempre disponibilizou, foi também decisivo na obtenção dos equipamentos para a cozinha, refeitórios, camaratas e roupa para as camas nas casernas do aquartelamento.

(06Jun) - Começou o 1°Curso de Enfermeiras Paraquedistas e, das onze candidatas que o iniciaram, seis conquistaram com o seu esforço a Boina Verde. Assim e pela primeira vez, na história militar portuguesa, as mulheres tomaram oficialmente lugar nas fileiras das Forças Armadas, concretamente nas Tropas Paraquedistas, 31 anos antes dos restantes Corpos Militares portugueses lhe seguirem o caminho. Como consequência dos diversos cursos realizados, entre 1961 e 1974, quarenta e seis jovens viriam a servir como enfermeiras paraquedistas, no seio e em benefício das Forças Armadas de Portugal, sobretudo nos TO de Angola, Moçambique e Guiné.

(04Jul/04Out) - Sob a direção do Ten Araújo e Sá iniciou-se o 1º Curso de Combate em novos moldes, como resultado da frequência em França de um Estágio de Guerra Subversiva e Psicológica, complementado com uma visita ao TO da Argélia de dois oficiais paraquedistas, tendo obtido sucesso no curso 2 Oficiais, 8 Sargentos e 92 Praças. O presente Curso foi precedido de uma Escola Preparatória de Quadros, destinada especificamente ao posterior fim em apreço, entre 19 e 30Jun.

(1961) Em Angola e na Operação QUIPEDRO (11Ago61), pela primeira vez em Portugal, os nossos paraquedistas foram empenhados em combate por meio de um lançamento em paraquedas. O BCP 21 depois deste 1º lançamento operacional, na região de Quipedro, realizou outros idênticos, em 24Ago61 na Serra da Canda e, em 15Set61, em Sacandica. Depois, na região de Inga em 17Abr62 e em 02Out62 e, na região de Caluca em 18Out62. Posteriormente, em 11Set63 e em 28Dez63, realizou outros saltos operacionais em Massabi/Dinge (Cabinda).

Na Guiné, pel o BCP12 foram também realizados saltos operacionais, ainda que de pequeno efetivo e sobretudo para intimidação, nas regiões de Teixeira Pinto, Bissorã, Encheia e Bula , todos em 18Dez63 e, no dia seguinte, em Piche ; depois nas regiões de Jabadá, em Abr66, e de Gandembel, em 20Ago68. Não menos importante por não te r sido integralmente executado foi, contudo, planeado e seria executado à ordem um salto operacional par a libertar, vivo ou morto, o governador e comandante-chefe da Guiné, Ge n Spínola, se este e os seus acompanhantes fosse m capturados ou mortos. Est a operação aconteceu quando o citado Gen se encontrou com o Presidente Leopold Senghor, em Cap Skirringno Senegal, poucos quilómetros a Norte da fronteira com a Guiné/Bissau e junto ao mar . O primeiro encontro ocorreu no dia 27Abr72, seguido de novo encontro em 18Mai72, com repetição de quase idêntico planeamento e execução. Tratava-se de discutir os Caminhos para a Paz na Guiné, tendo saído desses encontros propostas concretas que foram rejeitadas pelo Presidente do Conselho de então, Professor Marcelo Caetano. Ainda que a ação não tenha felizmente culminado com o salto operacional e o subsequente desenrolar da operação, oitenta Páras do BCP 12 armados e equipados para saltar , estiveram embarcados em dois aviões NordAtlas e em pleno voo sobre o mar , esperando ordem para iniciar o lançamento.

Como complemento do citado, outros sessenta Páras , também a bordo de doze AL III e em espera perto da fronteira da Guiné com o Senegal, aguardaram a ordem para o desencadear da operação. Esta foi então alcunhada de Operação Louca, por um dos militares que a conceberam, nome realista pelas implicações também internacionais que seriam espoletadas, se tivesse havido necessidade de a concluir. 

Em Moçambique, em 07Jun69, com forças do BCP 31 e do BCP32, foi realizada uma grande operação, a Operação Zeta (resultando a captura, só pelas Tropas Paraquedistas, de mais de trinta toneladas de armamento e outro material), a qual incluiu saltos operacionais em paraquedas e, posteriormente, Heli colocações na região do pântano de Malambuage, junto ao Rio Rovuma, fronteira com a Tanzânia. Forças do BCP 31 realizaram ainda outro salto operacional na região de Nangade, em 12Ago69, e mais outro, em 08Abr72, na região situada entre os Rios Sadzo e o Muangadzi, perto de Furancungo e junto à fronteira de Moçambique com a então Rodésia do Norte (Zâmbia) e o Malawi. Posteriormente, em 14Mar72, o BCP 32 executou ainda outro salto operacional na região de Mucumbura.

(1961) Em dezembro, quatro enfermeiras paraquedistas (Céu Policarpo, Ivone, Arminda e Nazaré) participaram na operação de evacuação aérea, para Lisboa, da população da Índia Portuguesa que quisesse sair deste Estado e ser repatriada, face à iminente invasão indiana. Durante cerca de vinte dias, em Karachi/Paquistão, prestaram apoio psicológico e sanitário aos cidadãos nacionais aqui refugiados, maioritariamente mulheres e crianças, após dramáticos voos em ponte aérea a partir de Goa, onde alguns dos aviões descolaram debaixo de fogo das Forças Armadas da União Indiana que, entretanto, haviam iniciado a invasão daqueles territórios.

Aconteceu nesse ano:

Imagens RTP: Partida de Tropas Paraquedistas para Angola

(1962) Foi inaugurado, no RCP, o novo Alojamento de Sargentos, tendo sido construídos dois edifícios de raiz, para essa finalidade.

(1962) Foi inaugurada a Estação de Tratamento das Águas Residuais (ETAR) do RCP, uma das primeiras do País, resolvendo um grave problema ambiental local, solução então inovadora e resultante da visita de um Oficial a uma Unidade militar congénere de outro país e que, como habitual no RCP, relatou tudo o que de inovação nela observara.

(1962) O RCP passou a contar com um Quadro Orgânico de Pessoal Civil (secretariado, administrativos, serralheiros, carpinteiros, bate-chapas, estofadores, eletricistas, barbeiros, ...) que atingiu 163 especialistas e alguns indiferenciados. O empenhamento de todos estes competentes funcionários civis, nas suas diversas especialidades, possibilitou não desviar das suas funções os militares, e permitiu ainda que as Tropas Paraquedistas fossem autossuficientes em manutenção e reparação até ao 3º e, excecionalmente, 4º escalão.

(1963) Foi implantada no RCP, no local que ainda ocupa, a Torre Francesa, uma torre metálica de treino para os Páras, no que se prende com a saída à porta do meio aéreo em voo, no início dos lançamentos em paraquedas, bem como na subsequente preparação para aterragem no solo. A citada torre, de modelo francês, fora inicialmente (1956) construída perto do local atual, no topo e junto aos edifícios dos Depósitos Gerais da Unidade. Na mesma altura foram construídas, em betão, os pilares e as coberturas dos aparelhos dos cursos de paraquedismo, substituindo os iniciais e provisórios.

(1963) Por proposta do Tenente-coronel Alcínio Ribeiro, passaram a fazer parte integrante da formação dos paraquedistas as aulas de Boxe e Judo, respetivamente sob a direção do instrutor de boxe David Ferreira e, sucessivamente, pelos irmãos e mestres de judo João Pedro e Afonso Henriques Maia Loureiro. O instrutor David Ferreira desempenhou de forma assinalável e ininterrupta a função até à sua aposentação em 1987, sendo substituído pelo mais tarde 1º Sargento José António da Costa, o qual havia sido iniciado e tido uma rápida evolução na modalidade, num clube de boxe na Amadora, já antes da incorporação no RCP. Este graduado, em 1998 e já desligado do serviço ativo, face à carência de instrutor de boxe e a pedido do comandante da Unidade, aceitou comparecer diariamente nesta para continuar a exercer a mesma função e sem qualquer retribuição. Quanto aos mestres indicados, exerceram funções até 1980, obtendo também enorme sucesso, tendo então o segundo sido substituído pelo mestre Fernando Correia.

(1963) Para além da excelente padaria e do depósito de géneros, foi inaugurado o funcional edifício das messes do RCP, com o edificado no formato em H, com a cozinha central em relação aos refeitórios de Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários Civis. Na cozinha continuou a ser confecionada a alimentação igual para todos, como desde a fundação das Tropas Paraquedistas sempre aconteceu. É de realçar que nos diferentes Corpos Militares, em Portugal, tal exemplar prática só viria a ser seguida depois de Abr74.

(1963) Foram construídas mais duas novas camaratas para Praças no RCP, bem como a torre americana. Esta torre destina-se ao treino em terra dos Páras, nas primeiras fases do salto (à saída da porta do avião em voo e durante a sequente fase da descida, suspensos através das tiras de suspensão e dos cordões à calote do paraquedas). Aqui e após o salto da torre, suspensos pelas tiras de um arnês com que se equiparam, os paraquedistas deslizam ao longo de cabos metálicos com ligeiro declive, simulando e treinando os procedimentos a realizar no ar e após o salto do avião.

(03Jul) - Sob o comando do 2º Sargento Estevam Rosa Gaspar, nomeado por escolha para essa função, marchou um Pelotão de Paraquedistas para Bissau, o qual integrou o Destacamento de Defesa Imediata do Aeródromo-Base nº 2 (AB 2). Em 03Dez63, o Destacamento foi reforçado com uma Equipa de Cães de Guerra, comandada pelo 2º Sargento Leonel Fernandes e, em 20Jan64, veio a receber um segundo Pelotão de Paraquedistas, sendo seu comandante o Alferes Casaca.

(1964) O RCP foi convidado a participar com uma equipa num Triatlo Militar na Alemanha (provas de tiro, saltos de precisão com paraquedas automático e uma prova de patrulhas, esta de 15km e com equipamento de combate e espingarda, num total aproximado de 10kg/militar). A equipa portuguesa foi constituída pelo Alferes Ferreira Rodrigues, 2º Sargento Rogério Mota, Soldado Quinás Pereira e Soldado Sequeira Cardeira, os quais conseguiram a proeza de se sagrar campeões nesta última prova, entre oito equipas de igual número de países concorrentes, tendo gasto no sinuoso percurso 1 hora e 12 segundos, menos 16 minutos que a equipa segunda classificada, a italiana, honrando Portugal com essa indelével classificação.

(14Out) - Um terceiro Pelotão de Paraquedistas desembarcou em Bissau e, juntamente com os anteriores para ali deslocados deram corpo, um mês depois, à formação de uma Companhia de Paraquedistas no AB 2 (localizado próximo da citada cidade), sob o comando do Capitão Veríssimo.

(1965) Sob a liderança do Major Bragança Moutinho e pela primeira vez, uma equipa de Oficiais e Sargentos paraquedistas deslocou-se a Pau/França, em representação das cores nacionais, a fim de participar numa competição internacional. Tratou-se do 1º Campeonato Internacional de Paraquedismo Militar, então organizado sob os auspícios do Conseil International du Sport Militaire (CISM).

(1965)  No RCP foi iniciada a distribuição da alimentação por self service, no ainda recente complexo de refeitórios, facto inédito nas Unidades em Portugal.

(1965) Para completar a reformulação da instrução ministrada no RCP, o Comando decidiu alterar a programação da Escola de Recrutas, que até aí continuava a ser ministrada com o formato do Exército, em 8 semanas. Este veio a revelar-se insuficiente, face à introdução de um muito mais exigente Curso de Paraquedismo, bem como do Curso de Combate. Assim, a programação da Escola de Recruta foi completamente remodelada, passando a ter uma duração de 12 semanas. Entretanto, o Capitão Moura Calheiros traduzira e adaptara à nossa realidade os manuais franceses, destinados à formação em apreço. Os programas foram alterados, sobretudo na Educação física, preparando os instruendos para a dureza do Curso de Paraquedismo; e também na instrução de Tática, introduzindo progressivamente os recrutas nas formações e nos métodos de combate que iriam aprender mais tarde, na Instrução de Combate recentemente estruturada, também segundo o modelo do Exército Francês. Finalmente, foi introduzida uma muito forte componente de Formação Cívica, procurando educar e incutir padrões de bom comportamento cívico nos instruendos.

Aconteceu nesse ano / Veja também:
RTP Arquivos: Mensagens de Natal – Angola 1965

     CRIAÇÃO E EXPANSÃO DAS TROPAS PARAQUEDISTAS EM PORTUGAL (1966-1970)

     CRIAÇÃO E EXPANSÃO DAS TROPAS PARAQUEDISTAS EM PORTUGAL (1971-1974)

     REORGANIZAÇÃO (1975-1980)

     REORGANIZAÇÃO (1981-1985)

     REORGANIZAÇÃO (1986-1990)

     REORGANIZAÇÃO (1991-1993)

     INTEGRAÇÃO (1994-1997)

     INTEGRAÇÃO (1998-2000)

     INTEGRAÇÃO (2001-2005)

     INTEGRAÇÃO (2006-2010)

     INTEGRAÇÃO (2011-2015)

     INTEGRAÇÃO (2016-2020)

     INTEGRAÇÃO (2021-...)

Documentos fundamentais 

- Calheiros, José Alberto de Moura. 2021, “História do Regimento de Caçadores Pára-quedistas”. Vila Nova da Barquinha: União dos Paraquedistas Portugueses (No prelo).

 - Grão, Luís António Martinho. 1987. “História do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas”. Lisboa: Comando das Tropas Aerotransportadas.

- Grão, Luís António Martinho. 1987. “História do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 12”. Lisboa: Corpo de Tropas Pára-quedistas.

- Lousada, José Manuel Garcia Ramos. 2011“História do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 21”. Tancos: Escola de Tropas Pára-quedistas.

- Martins, Raúl Francóis Ribeiro Carneiro. 1986. “História do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 31”. Lisboa: Corpo de Tropas Pára-quedistas.

- Pires, Orlando Caetano Rodrigues. 1993. “História do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 32”. Lisboa: Corpo de Tropas Pára-quedistas.

- Escola de Tropas Pára-quedistas. 2008. “50 Anos - 1956-2006. Carregueira / Ribatejo: Tipografia e Papelaria Marques.

- O. S. (Ordens de Serviço) do Batalhão de Caçadores Paraquedistas (Tancos, 1956 a 1961)

- O.S. do Regimento de Caçadores Paraquedistas (Tancos, 1961 a 1975).

- O.S. do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 21 (Luanda/Angola, 1961 a 1975)

- O.S. do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 31 (Beira/Moçambique, 1961 a 1975)

- O.S. do Batalhão de Tropas Paraquedistas 12 (Bissau/Guiné, 1966 a 1974)

- O.S. do Batalhão de Tropas Paraquedistas 32 (Nacala/Moçambique, (1966 a 1974)

- O.S. do Destacamento de Tropas Paraquedistas 1 (Díli/Ataúro/Timor, 1975)

- O.S. do Corpo de Tropas Paraquedistas (Monsanto/Lisboa, 1975 a 1994)

- O.S. da Base Escola de Tropas Paraquedistas (Tancos, 1975 a 1994)

- O.S. da Base Operacional de Tropas Paraquedistas 1 (Monsanto/Lisboa, 1975 a 1991)

- O.S. da Base Operacional de Tropas Paraquedistas 2 (S. Jacinto/Aveiro, 1975 a 1994)

- O.S. do Comando das Tropas Aerotransportadas/Brigada Aerotransportada Independente (Tancos, 1994 a 2006)

- O.S. da Escola de Tropas Aerotransportadas (Tancos, 1994 a 2008)

- O.S. da Área Militar de S: Jacinto (S: Jacinto/Aveiro, 1994 a 2006)

- O.S. do Regimento de Infantaria 15 (Tomar, 1998 a …)

- O.S. da Escola de Tropas Paraquedistas (Tancos, 2008 a 2015)

- O.S. da Brigada de Reação Rápida (Tancos, 2006 a …)

- O.S. do Regimento de Infantaria 10 (S. Jacinto/Aveiro, (2006 a …)

- O.S. do Regimento de Paraquedistas (Tancos, 2015 a …)

- Relatórios de Operações do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 21 (Luanda/Angola, 1961 a 1975)

- Relatórios de Operações do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 31 (Beira/Moçambique,1961 a 1975)

- Relatórios de Operações do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 12 (Bissau/Guiné, 1966 a 1974)

- Relatórios de Operações do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 32 (Nacala/Moçambique, 1966 a 1974) 


Revistas e jornais militares

- “Kit Bag”, Jornal do BCP 31 (Beira), Jul1971

- “Salta”, Jornal do BCP (Tancos), 28 números, de 1956 a 1958

- “Revista Boina Verde”, BCP 21(Luanda, 113 números, de Ago1965 a 1974)

- “Revista Boina Verde”, RCP/CTP/RParas, do número 119, em Jun75, até ao 258, no 2º semestre 2020. 


Livros

- Anacleto-Santos, M., Perestrelo, C., Santos-Correia, J., 2015. “Ao Ritmo do Guia. Memórias de um Curso de Paraquedismo Militar”, Tancos: Pára-Clube Nacional Os Boinas Verdes.

- Barbosa, José da Fonseca. 2018. “Oficiais Milicianos Pára-quedistas da Força Aérea Portuguesa. Vol I os que combateram em África 1955 a 1974”. Porto: Fronteira do Caos Edit. - . 2019. “Oficiais Milicianos Pára-quedistas da Força Aérea Portuguesa. Vol II As Gerações do pós-Império 1975 a 1993”. Lisboa: Manuel Barbosa e Filhos Lda.

- Calheiros, José de Moura. 2010. “A Última Missão”. Porto: Caminhos Romanos. - Cann, John P. 2017. “Os Páras em África (1961 - 1974)”. Cascais: Tribuna da História,

- Chaves, Maximino Cardoso. 2005. “Andanças, Tribulações e Reflexões em Tempo de Guerra”. Coimbra: Edições Minerva.

- Henriques-Mateus, Lourenço Henrique. “1 - Portugal na Aventura de Voar. De Gusmão ao Ocaso dos Balões Esféricos (1709- 1915)”, Printer Portuguesa, junho. 2009, pág. 115-124.

- Machado, M., Carmo, A. 2003. “Tropas Para-quedistas. A História dos Boinas Verdes Portugueses 1955-2003”. Lisboa: Prefácio Editores.

- Mensurado, Joaquim Manuel Trigo Mira. 2002. “Os Páras na Guerra 1961-63 e 1968-72”. Lisboa: Prefácio Ed.

- Mira-Vaz, Nuno. 2019. “Os Pára-quedistas nas Guerras de África 1961-1975”. Lisboa: Sociedade Histórica da Independência de Portugal/Instituto Bartolomeu de Gusmão. - . 2019. “Pára-quedistas em Combate 1961-1975”. Porto: Fronteira do Caos Edit. - Mansilha, J., Mensurado, J., Calheiros, J. et al. 2007. “A Geração do Fim. Infantaria 1954-2004”. Lisboa: Prefácio.

- Moutinho, Carlos Bragança. 1970. “História e Técnicas do Para-quedismo”. Lisboa: Livraria Portugal.

- Serra, Rosa Glória et al. 2014. “Nós, Enfermeiras Paraquedistas”. Porto: Fronteira do Caos Edit.