A história das Tropas Pára-quedistas Portuguesas

“Há que conservar as memórias passadas contra a tirania do tempo e contra o esquecimento dos homens”1 Padre António Vieira (1)


Francis J. Gavin, professor da Johns Hopkins University, no ensaio "What if we are wrong?", na procura da definição de História, cita Marc Block que sublinhara que a mesma não é uma oficina de relojoaria, nem um gabinete de engenharia, mas sim um esforço para melhor compreender algo em constante movimento. Muito recentemente, Miguel Monjardino, periodista e professor universitário, citou também Gavin, que definira História como um discurso em mutação, tecendo depois considerações complementares ao tema. Nas mesmas salientou que, devido a esse movimento, a perspetiva histórica depende muito da geografia e do momento em que a avaliação dos factos é feita, face à contínua evolução do pensamento universal. Por outro lado, se não forem sendo tomados apontamentos sobre os acontecimentos passados, a memória sobre eles resultará difusa e enviesada, podendo mesmo falseá-los. Pelos efeitos que produzem, os verdadeiros motores da História são os detentores do poder político, mas também económico, diplomático, de opinião, etc., de cada Estado ou coligação. Este será tanto mais efetivo quanto mais vincadas forem as chamadas forças profundas, há muito relevadas pelos professores franceses Pierre Renouvin e JeanBaptiste Duroselle (2) . Essas forças são materializadas pela geografia, no seu sentido mais amplo, pelo passado das nações ou suas associações, pelo carácter nacional (consciência coletiva do valor relativo de si mesma), pela língua, pelas religiões professadas, etc. A Instituição Militar é integrada por homens e mulheres que, pelo papel social que lhes está consignado ou, por vezes, por eles e elas assumido, são também motores da História e outras vezes, sobretudo, objeto da mesma. Desta forma, resolvemos publicar esta Cronologia das Tropas Paraquedistas em Portugal, memória sintética dos acontecimentos ocorridos entre 1956 e 2021, que considerámos relevantes no contexto nacional, de modo que não se venha a tornar difusa e até enviesada uma futura avaliação dos mesmos. Procurámos, na sua feitura, afastar a sempre presente subjetividade e indicar a bibliografia consultada, não esquecendo que a História é algo em movimento, quer pela contínua evolução do pensamento humano, quer pela descoberta de novos factos. A Cronologia é apresentada inicialmente por factos que antecederam a criação das Tropas Paraquedistas em Portugal, depois os relativos à criação destas Tropas e o seu desenvolvimento (1955/1975), época em que foram formadas, instruídas e treinadas com o maior rigor e destinadas a combater numa guerra de contrassubversão; seguidamente, face à alteração estratégica decorrente do fim da guerra em África e no período da guerra fria, adequadas afincadamente a esse novo ambiente (1975/2006) e, desde essa data mas já integrados no Exército, capacitadas e empenhadas em operações de apoio à paz e operações de repatriamento de nacionais não combatentes. Em todas essas fases, são bem visíveis os esforços de manutenção do melhor conhecimento e do saber fazer das Tropas Paraquedistas para se equivalerem, no estado da arte, às melhores existentes noutras geografias. Por último, dedicamos esta Cronologia a todos que, como eu, se sentem honrados por terem servido Portugal nas Tropas Paraquedistas, a quem dedicaram todo o seu esforço e saber, honrando o lema da Casa Mãe” Que Nunca Por Vencidos Se Conheçam”. 

Oeiras, 1 de dezembro de 2021

Carlos Manuel Chaves Gonçalves MGen (Ref)


1 Vieira, Pe António, Sermão de Nossa Senhora de Penha de França, Lisboa, 1652. Citações e Pensamentos. Lisboa: Ed. Casa das Letras, 2010, p. 69.

2 Renouvin,Pierre, Duroselle, Jean-Baptiste. Introduction a L’Histoire des Relations Internationales. Paris, Armand Colin, 1970.

     ANTECEDENTES

(15Abr /08Jul) - 232 voluntários, Oficiais, Sargentos e Praças, oriundos dos três Ramos das Forças Armadas e que haviam sido concentrados num aquartelamento na Serra da Carregueira, marcharam para Alcantarilha (Espanha), a fim de frequentarem o 22º Curso Básico de Paraquedismo, dos quais 188 viriam a terminá-lo com sucesso.

(27Mai) - Os militares integrados no referido 22º Curso Básico de Paraquedismo atingiram o início da fase dos lançamentos em paraquedas (equipados com paraquedas T-6R, de calote branca e a partir de aviões JU 52), tendo efetuado o primeiro salto neste dia e o último em 09Jul. Prestigiando esse evento, estiveram presentes em Alcantarilha, assistindo ao último salto e participando na Cerimónia de Imposição da almejada Boina Verde e Brevet, o CEMGFA, General Botelho Moniz, o CEME, General  Barros Rodrigues e o CEMFA Interino, Brigadeiro Frederico Costa, bem como altas autoridades civis e militares de Espanha.

O citado núcleo de 188 paraquedistas regressou a Portugal e, juntamente com os anteriormente brevetados, até ao fim do ano ficam aquartelados nas instalações do Campo de Tiro na Serra da Carregueira.

(14Ago) - Na Praça Marquês de Pombal, em Lisboa, no decorrer de uma Cerimónia Militar comemorativa do Dia da Infantaria, presidida pelo Presidente da República, General Craveiro Lopes, foi por este entregue o Guião do Batalhão de Caçadores Paraquedistas ao respetivo comandante, Capitão Videira, nele ostentando a divisa “Que nunca por vencidos se conheçam” (Lusíadas, VII-71). Esta divisa permaneceu imutável, no Estandarte Heráldico da “Casa-Mãe dos Páras”, independentemente das diversas designações oficiais tidas depois pela Unidade.

(15Out) - O Capitão Videira, Tenente Durão e mais alguns paraquedistas descolaram num JU-52, da Base Aérea de Tancos, e realizaram um salto de treino sobre a mesma pista, experimentando os novos paraquedas americanos T-10. Para o efeito, a Unidade socorreu-se do conhecimento tido, sobre os referidos e recém-adquiridos paraquedas, pelo Tenente Para George Haas, oficial americano que então servia na USA-MAAG em Portugal, e se havia disponibilizado para tal.

(Fev55 / Nov56) - No Brasil, o Tenente Argentino Seixas e o Alferes Sigfredo Costa Campos, depois de frequentarem o Curso de Educação Física, na Escola de Educação Física do Exército, realizaram com sucesso os Cursos Básico de Paraquedismo, de Mestre de Salto (Largador), de Manutenção e Dobragem de Paraquedas e de Precursor Aeroterrestre, no Centro de Instrução de Paraquedismo do Exército brasileiro, situados no Rio de Janeiro.

(08Nov) - Tendo por objetivo a frequência, durante quinze dias, de um estágio de manutenção e dobragem dos paraquedas americanos T-10, uma equipa de paraquedistas chefiada pelo Cap Videira (que incluiu o Tenente Alcínio Ribeiro, o 1º Sargento Arlindo Mendes, o 2º Sargento Freire de Sousa e quatro Praças) deslocaram-se a Evreux/França, onde estava estacionada a 155th QMC (AS) do Exército Americano, responsável pelo citado estágio. O 1º Sargento Arlindo Mendes viria a ser o primeiro responsável pelo serviço de manutenção, dobragem e armazenamento de paraquedas, ainda que o início da utilização das novas instalações só viesse a ser uma realidade em Fev57, devido ao atraso na conclusão do edifício que, para esse destino, foi construído de raiz. Em 1964 este graduado deslocou-se de novo a França, à ETAP, com idêntica, mas complementar finalidade. É de sublinhar que o lema então adotado no serviço de dobragem e manutenção de paraquedas, “Um dobrador não erra, nunca!”, sempre esteve e continua a estar presente e honrado pelo pessoal empenhado nesses serviços.

(23Nov) - Pelo Decreto-Lei 40394 foi criado na Força Aérea Portuguesa o Batalhão de Caçadores Paraquedistas e, pelo Decreto-Lei 40395, promulgado em igual data, foi regulamentada a Organização, Recrutamento e Serviço das Tropas Paraquedistas. Nos termos do artigo 20º deste último Decreto-Lei, pela primeira vez na história dos uniformes das Forças Armadas lusas, foi oficializado o uso da boina como cobertura de cabeça. Assim, em Portugal, as tropas paraquedistas passaram a usar o Brevet e a Boina Verde como símbolos privativos (a Portaria 4 20911/SEA, de 16Nov64, viria a definir com rigor a curva espectrofotométrica do verde da boina).

(1Jan) - Foi constituído o Batalhão de Caçadores Paraquedistas (BCP), com sede em Tancos e na dependência da Força Aérea Portuguesa, nos termos e para execução do Decreto-Lei 40395, de 23Nov55, pela Portaria nº 15671, de 26Dez55. O então Capitão Armindo Martins Videira foi o primeiro Comandante nomeado para a nova Unidade. No início do ano, o BCP foi transferido para o antigo e muito degradado quartel do Batalhão de Pontoneiros, em Tancos. Conforme o citado diploma, o BCP, para além do Comando e Companhia de Comando e Serviços, foi constituído por duas Companhias de Caçadores Paraquedistas e uma Companhia de Instrução. Com a experiência entretanto adquirida e o aumento de efetivos conseguido pelo BCP, foi tudo sedimentado numa proposta visando a reorganização da Unidade. Decorrente da aprovação da mesma, foi em 1958 implementada a reorganização dos Paraquedistas, ficando a Unidade constituída por quatro Companhias de Combate, além do Comando, CCS e do Centro de Instrução, este com Corpo de Instrutores e Companhia de Instrução.

(10Fev) - Descolando de Tancos, nos velhos aviões JU-52, cerca de 50 boinas verdes saltaram na Quinta dos Álamos (Golegã), onde previamente fora balizada uma zona de lançamento, sendo desta forma executado o primeiro salto em paraquedas da nova Unidade, em Portugal. O primeiro a saltar foi o próprio comandante do Batalhão, Capitão Armindo Videira.

(23Mai) - Após algumas beneficiações mais urgentes, realizadas desde o início do ano, foi oficialmente inaugurado o aquartelamento do BCP em Tancos. Presidiu à cerimónia de abertura solene da Porta de Armas, o Subsecretário de Estado da Aeronáutica, Tenente-coronel Eng Kaúlza de Arriaga. O dia 23 de Maio passaria a ser o Dia Festivo da Unidade, escolhido para ficar também indelevelmente ligado ao evento que no mesmo dia se comemora, o aniversário da concessão da Bula Manifestis Probatum. Esta, promulgada a 23 de Maio de 1179 pelo Papa Alexandre III, face à suserania papal que este detinha e lhe era reconhecida pelos Estados europeus, foi enviada a D. Afonso Henriques, libertando-o da vassalagem que tinha para com seu primo Afonso VII de Leão e Castela. Desta forma, D. Afonso I passou a ser vassalo direto do Papa, sendo reconhecido Portugal como país independente, por redundância e arrastamento. Nesse mesmo dia foi igualmente inaugurada a Zona de Lançamento do Arripiado, para o efeito cedida graciosamente pelo proprietário, e com o mesmo uso até aos nossos dias, tendo esse terreno sido adquirida pela FAP, em 1986.

(01Jul) - Na cerimónia comemorativa do Dia da Força Aérea, realizado no Aeroporto da Portela, foi entregue o Estandarte Nacional ao Botalhão de Caçadores Pára-quedistas (BCP), pelo então Presidente da República, General  Craveiro Lopes.

(17Jul / 01Ago) - Sob a direção do Tenente Alcínio Ribeiro foi ministrado em Portugal, o 1º Curso de Dobradores de Paraquedas, tendo terminado com sucesso 1 Oficial, 1 Sargento e 7 Praças.

(07Jan) - Foi iniciado o 1º Curso de Paraquedismo ministrado em Portugal. O curso, que incluiu 10 saltos, viria a finalizar em 28 de Fevereiro, tendo ficado aptos 37 instruendos.

(07Mar/25Mai) - Realizou-se o primeiro Curso de Instrutor e Monitor de Paraquedismo (CIMP), sob a direção do Tenente Fausto Marques, tendo ficado aprovados 14 instruendos (3 Oficiais, 4 Sargentos e 7 Praças).

(07Mar/03Ago) - Foi realizado o 1º Curso de Tropas Especiais (Comandos), ministrado nas Tropas Paraquedistas, sob a direção do Tenente Rosado Serrano.

(28Out57/07Fev58) - Sob a direção do Ten Costa Campos foi ministrado o 1º Curso de Manutenção e Dobragem de Paraquedas, ainda em instalações improvisadas, tendo terminado com sucesso os 1º Sargento Arlindo Mendes, 2º Sargento Manuel Faria e os 1º Cabo Runa, Ribeiro Pedro, José Oliveira e Caetano.

(01Nov) - O BCP organizou as suas Escolas Regimentais (ER), nos termos do Decreto- Lei 38968, de 27Out52, de forma a dotar os militares não paraquedistas, que haviam sido incorporados na situação de analfabetos, com as habilitações literárias mínimas (3º ano de escolaridade), porque só assim poderiam ser legalmente autorizados a passar à situação de disponibilidade. Na procura constante da melhoria da literacia dos militares paraquedistas e também os de outras especialidades, colocados na Unidade e que para tal se foram voluntariando, alguns Oficiais e, posteriormente, também alguns Professores Civis contratados, proporcionaram o necessário apoio pedagógico, até ao 7º ano dos Liceus (curso complementar). Estas ER funcionaram na Unidade até 1980, data a partir da qual, devido a restrições orçamentais e à então maior escolaridade dos militares incorporados, passou em alternativa a ser disponibilizado transporte para os militares voluntários frequentarem, em regime pós-laboral, sobretudo as Escolas Secundárias em Tomar, Entroncamento e Abrantes. Nesse caminho, algumas Praças vieram, com o seu empenho, a atingir o nível académico a que hoje corresponde o 12º ano e alguns outros diversos cursos superiores. (ver vídeo RTP aqui).

(20Dez) - Recebeu a boina verde, após finalizar o respetivo curso, o Aspirante-a-oficial Médico Neves Soudo, o 1º médico a atingir esse objetivo, o qual, integrado em subunidades, viria a garantir o apoio sanitário imediato, ao participar ativamente em inúmeras missões operacionais no Norte de Angola.

(15Jan) - Foi imposta a boina verde ao Tenente Capelão António Martins, o primeiro eclesiástico a concluir o respetivo curso. Viria a ter um papel fundamental na angariação de mecenas para a construção do Monumento aos Paraquedistas Mortos em Combate, erigido em 1968 à entrada do então RCP.

(01Mar) - O Secretário de Estado da Aeronáutica determinou a constituição imediata de dois Pelotões de Caçadores Paraquedistas Reforçados, no BCP. Determinou ainda que estes deviam ser mantidos permanentemente em treino operacional, com o objetivo de estarem prontos e à ordem de marcha para operações de tipo especial, prevendo o seu empenhamento futuro nos territórios ultramarinos portugueses. O estudo conducente a esta decisão previu, também, para cada uma das três maiores Províncias Ultramarinas, uma Unidade de Páras.

(01Mar) - O CEMFA aprovou uma lista de possíveis empenhamentos operacionais das Tropas Paraquedistas (TP), referindo como primeira prioridade “o combate a terroristas ou a pequenas fações organizadas, especialmente a prever nas Províncias Ultramarinas da Guiné, Angola, Timor e Moçambique”.

(27Abr / 13Mai) - Deslocaram-se à Argélia, para análise das metodologias operacionais aí empregues pelos franceses, o Major Martins Videira, o Capitão Rafael Durão e o Tenente Marques da Costa. Conviveram aí com as Unidades de paraquedistas francesas, empenhadas em operações de contrassubversão, e colheram as lições aprendidas no empenhamento operacional destas, para assim potenciarem a instrução e o treino operacional das TP portuguesas. Foi desta forma iniciada uma constante metodológica nas TP, analisar, refletir e implementar o que de melhor existisse no desempenho das Forças Armadas estrangeiras, que fossem consideradas mais eficientes em cada sector.

(1958) O Curso de Paraquedismo foi totalmente remodelado. A componente técnica do paraquedismo, até então a grande e única preocupação, como acontecera nos Cursos iniciais frequentados em França e na Espanha, passou a estar associada a uma forte componente de treino físico, de forma similar ao que então se fazia nos Estados Unidos da América. Esta nova faceta da formação do militar paraquedista fora aprovada, após proposta do Capitão Seixas e do Alferes Costa Campos. Estes oficiais haviam sido formados no Brasil, nas diversas componentes do paraquedismo militar, idênticas às americanas e que os militares brasileiros já haviam adotado. Assim, a partir do terceiro curso realizado em Portugal, ainda que continuando a manter a componente técnica francesa, passou a ser seguida uma redesenhada estrutura formativa, bem como consolidada a prática dos Cursos de Paraquedismo incluírem o específico treino físico militar. A metodologia de toda a formação/instrução conter sempre uma componente de forte treino físico militar, foi implementada nas restantes atividades das Tropas Paraquedistas e até na Força Aérea, a qual ainda hoje se mantém. O primeiro dos oficiais citados dirigiu, desde o terceiro curso de paraquedismo em Portugal, com a duração de quatro ou cinco semanas, em função das condições meteorológicas, cerca de duas dezenas de sucessivos cursos similares, ficando padronizada a citada metodologia até aos nossos dias, face à excelência reconhecida no produto final.

(1958) O Capitão Fausto Marques e o 2º Sargento Castro Gonçalves frequentaram um Curso de Cinotécnia, no 10º Grupo Veterinário Autónomo do Exército Francês, então localizado na cidade alemã de Linx, situada no sector de ocupação francesa da Alemanha Federal, a curta distância da cidade francesa de Estrasburgo. Entretanto, no BCP, foram construídas as instalações do Centro Cinotécnico, onde viriam a ser formados, em inúmeros Cursos de Tratadores e Treinadores de Cães de Guerra, militares não só pertencentes às Tropas Paraquedistas, mas também da Força Aérea, sendo reconhecido o pioneirismo e a excelência do trabalho nessa área aqui desenvolvido.

(01Set/10Out) - O Capitão Soares da Cunha e o Tenente Curado Leitão frequentaram um Curso de Comandos, no Commando Royal Marines - Bickleigh Barracks/Plymouth/ UK, procurando ensinamentos que pudessem ser utilizados na melhoria da instrução ministrada na Unidade, na área em apreço. 

(15Out) - Sob a direção técnica do 2º Sargento Adelino Tomás foi iniciado o 1º Curso de Clarins, só aberto a Soldados Páras. Posteriormente, em 17Set65, o 1º Cabo João Sousa Pereira passou a dirigir a Fanfarra dos Paraquedistas, tendo exercido essa função até à primeira extinção da mesma, em 07Mai75.

(1959) Na sequência da frequência, iniciada em 1955, de diversos cursos em França e da troca de experiências com camaradas franceses que haviam combatido na Indochina e na Argélia, de forma pioneira os paraquedistas de Portugal passaram também, progressiva e experimentalmente, a fardar com uniforme camuflado, de início de origem e padrão francês. Porém, já há muito tal uniforme de combate estava previsto e, em termos de normativos legais, de acordo com o estabelecido no art.º 20 do Decreto 40395, de 23Nov55, e com o determinado pelo SubSEA, em 10Abr56, “o pessoal das tropas paraquedistas usará um uniforme de combate a estabelecer oportunamente, quer em exercícios, quer propriamente em combate”. Depois, enquanto não foi publicada uma Portaria pelo MDN, relativa aos uniformes dos paraquedistas, pelo Despacho 378/SubSEA, de 06Fev61, foram definidos o padrão e as circunstâncias do uso do uniforme de combate (designado PQ/9 ou camuflado).

(Abr) - Antecedendo a instalação no Ultramar e para divulgação da Força Aérea e das Tropas Paraquedistas, numa clara manifestação de poder militar, evidenciando a rapidez de intervenção e versatilidade de atuação, independentemente da distância à zona de ação e das missões operacionais atribuíveis, foram executados lançamentos de paraquedistas em Angola. Estes foram realizados a partir de seis aviões C-54 e de oito PV-2 nas cidades de Luanda, Sá da Bandeira e Nova Lisboa, no âmbito do Exercício HIMBA. Apesar de não ter sido levado a efeito, foi então planeado idêntico exercício para Moçambique.

(18Mai / 20Jun) - Realizou-se o 1º Curso de Transporte Aéreo e Lançamento de Pessoal e Material (CTALPM), sob a direção do Tenente Costa Campos, tendo terminado com sucesso 13 Oficiais e 29 Sargentos.

(10Ago) - Na sequência de uma greve e de uma manifestação (03Ago) por motivos laborais, dos trabalhadores africanos do cais de Pidjiguiti, no porto de Bissau, em que as Forças da Ordem abriram fogo contra os manifestantes, um Pelotão de Paraquedistas marchou para Bissau, sob o comando de Alferes Jerónimo Gonçalves, aí permanecendo de prevenção até 20Ago. Esta foi a primeira projeção para África das Tropas Paraquedista, com objetivo operacional definido. O seu desembarque inopinado em Bissau, as imediatas e rigorosas medidas de segurança que implementaram e o uniforme camuflado que usavam, nunca antes visto naquelas paragens, tiveram um impacto psicológico de assinalar, na acalmia do relacionamento social, face aos recentes e sangrentos acontecimentos ainda vivos na memória de todos.

(06Jul/20Ago) - Tendo por finalidade o aprimoramento da preparação de Graduados e Tropas, no âmbito da contrassubversão, os Tenente Araújo e Sá, Tenente Silva e Sousa, 2º Sargento Bessa, 2º Sargento Gonçalves de Campos, 1º Cabo Victor Dias e o 1º Cabo Pereira frequentaram no Grupo de Instrução da Brigada Paraquedista de Além-Mar, em Bayonne / França, o Estágio de Guerra Subversiva e Psicológica, em duas fases. Esta missão incluiu, mais tarde, mas nesse mesmo ano, um complemento de instrução de cerca de um mês, só para os dois Oficiais citados, no Centro de Instrução de Pacificação e Contraguerrilha, em Arzew, na Argélia. Neste Centro, todos os oficiais franceses, de Alferes a Coronel, acabados de chegar ao TO argelino, frequentavam o mesmo complemento de instrução. Visando igualmente a contrassubversão, durante três semanas e a partir de 26 de outubro, três Oficiais e seis Sargentos paraquedistas frequentaram, em Lamego, um Estágio de Guerra Subversiva.

(1960) Como corolário da já citada formação em França, o Tenente Araújo e Sá e Silva e Sousa elaboraram a doutrina orientadora para as operações de contrassubversão. Também organizaram os horários detalhados para os cursos de combate, escolheram os locais de instrução adequados e, ainda, fizeram os auxiliares de instrução, passando todo esse trabalho, após aprovado, a ser a referência nos Cursos de Combate realizados a partir de então. Estes cursos tinham a duração de onze semanas e, incluídas nestas, finalizavam com duas e por vezes três semanas de nomadização na região de Mação - Serras da Amêndoa, Bando dos Santos e Bando de Codes (desde há tempos imemoriais, na região citada a palavra Bando tem o significado de Montanha).

     CRIAÇÃO E EXPANSÃO DAS TROPAS PARAQUEDISTAS EM PORTUGAL (1961-1965)

     CRIAÇÃO E EXPANSÃO DAS TROPAS PARAQUEDISTAS EM PORTUGAL (1966-1970)

     CRIAÇÃO E EXPANSÃO DAS TROPAS PARAQUEDISTAS EM PORTUGAL (1971-1974)

     REORGANIZAÇÃO (1975-1980)

     REORGANIZAÇÃO (1981-1985)

     REORGANIZAÇÃO (1986-1990)

     REORGANIZAÇÃO (1991-1993)

     INTEGRAÇÃO (1994-1997)

     INTEGRAÇÃO (1998-2000)

     INTEGRAÇÃO (2001-2005)

     INTEGRAÇÃO (2006-2010)

     INTEGRAÇÃO (2011-2015)

     INTEGRAÇÃO (2016-2020)

     INTEGRAÇÃO (2021-...)

Documentos fundamentais 

- Calheiros, José Alberto de Moura. 2021, “História do Regimento de Caçadores Pára-quedistas”. Vila Nova da Barquinha: União dos Paraquedistas Portugueses (No prelo).

 - Grão, Luís António Martinho. 1987. “História do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas”. Lisboa: Comando das Tropas Aerotransportadas.

- Grão, Luís António Martinho. 1987. “História do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 12”. Lisboa: Corpo de Tropas Pára-quedistas.

- Lousada, José Manuel Garcia Ramos. 2011“História do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 21”. Tancos: Escola de Tropas Pára-quedistas.

- Martins, Raúl Francóis Ribeiro Carneiro. 1986. “História do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 31”. Lisboa: Corpo de Tropas Pára-quedistas.

- Pires, Orlando Caetano Rodrigues. 1993. “História do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 32”. Lisboa: Corpo de Tropas Pára-quedistas.

- Escola de Tropas Pára-quedistas. 2008. “50 Anos - 1956-2006. Carregueira / Ribatejo: Tipografia e Papelaria Marques.

- O. S. (Ordens de Serviço) do Batalhão de Caçadores Paraquedistas (Tancos, 1956 a 1961)

- O.S. do Regimento de Caçadores Paraquedistas (Tancos, 1961 a 1975).

- O.S. do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 21 (Luanda/Angola, 1961 a 1975)

- O.S. do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 31 (Beira/Moçambique, 1961 a 1975)

- O.S. do Batalhão de Tropas Paraquedistas 12 (Bissau/Guiné, 1966 a 1974)

- O.S. do Batalhão de Tropas Paraquedistas 32 (Nacala/Moçambique, (1966 a 1974)

- O.S. do Destacamento de Tropas Paraquedistas 1 (Díli/Ataúro/Timor, 1975)

- O.S. do Corpo de Tropas Paraquedistas (Monsanto/Lisboa, 1975 a 1994)

- O.S. da Base Escola de Tropas Paraquedistas (Tancos, 1975 a 1994)

- O.S. da Base Operacional de Tropas Paraquedistas 1 (Monsanto/Lisboa, 1975 a 1991)

- O.S. da Base Operacional de Tropas Paraquedistas 2 (S. Jacinto/Aveiro, 1975 a 1994)

- O.S. do Comando das Tropas Aerotransportadas/Brigada Aerotransportada Independente (Tancos, 1994 a 2006)

- O.S. da Escola de Tropas Aerotransportadas (Tancos, 1994 a 2008)

- O.S. da Área Militar de S: Jacinto (S: Jacinto/Aveiro, 1994 a 2006)

- O.S. do Regimento de Infantaria 15 (Tomar, 1998 a …)

- O.S. da Escola de Tropas Paraquedistas (Tancos, 2008 a 2015)

- O.S. da Brigada de Reação Rápida (Tancos, 2006 a …)

- O.S. do Regimento de Infantaria 10 (S. Jacinto/Aveiro, (2006 a …)

- O.S. do Regimento de Paraquedistas (Tancos, 2015 a …)

- Relatórios de Operações do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 21 (Luanda/Angola, 1961 a 1975)

- Relatórios de Operações do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 31 (Beira/Moçambique,1961 a 1975)

- Relatórios de Operações do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 12 (Bissau/Guiné, 1966 a 1974)

- Relatórios de Operações do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 32 (Nacala/Moçambique, 1966 a 1974) 


Revistas e jornais militares

- “Kit Bag”, Jornal do BCP 31 (Beira), Jul1971

- “Salta”, Jornal do BCP (Tancos), 28 números, de 1956 a 1958

- “Revista Boina Verde”, BCP 21(Luanda, 113 números, de Ago1965 a 1974)

- “Revista Boina Verde”, RCP/CTP/RParas, do número 119, em Jun75, até ao 258, no 2º semestre 2020. 


Livros

- Anacleto-Santos, M., Perestrelo, C., Santos-Correia, J., 2015. “Ao Ritmo do Guia. Memórias de um Curso de Paraquedismo Militar”, Tancos: Pára-Clube Nacional Os Boinas Verdes.

- Barbosa, José da Fonseca. 2018. “Oficiais Milicianos Pára-quedistas da Força Aérea Portuguesa. Vol I os que combateram em África 1955 a 1974”. Porto: Fronteira do Caos Edit. - . 2019. “Oficiais Milicianos Pára-quedistas da Força Aérea Portuguesa. Vol II As Gerações do pós-Império 1975 a 1993”. Lisboa: Manuel Barbosa e Filhos Lda.

- Calheiros, José de Moura. 2010. “A Última Missão”. Porto: Caminhos Romanos. - Cann, John P. 2017. “Os Páras em África (1961 - 1974)”. Cascais: Tribuna da História,

- Chaves, Maximino Cardoso. 2005. “Andanças, Tribulações e Reflexões em Tempo de Guerra”. Coimbra: Edições Minerva.

- Henriques-Mateus, Lourenço Henrique. “1 - Portugal na Aventura de Voar. De Gusmão ao Ocaso dos Balões Esféricos (1709- 1915)”, Printer Portuguesa, junho. 2009, pág. 115-124.

- Machado, M., Carmo, A. 2003. “Tropas Para-quedistas. A História dos Boinas Verdes Portugueses 1955-2003”. Lisboa: Prefácio Editores.

- Mensurado, Joaquim Manuel Trigo Mira. 2002. “Os Páras na Guerra 1961-63 e 1968-72”. Lisboa: Prefácio Ed.

- Mira-Vaz, Nuno. 2019. “Os Pára-quedistas nas Guerras de África 1961-1975”. Lisboa: Sociedade Histórica da Independência de Portugal/Instituto Bartolomeu de Gusmão. - . 2019. “Pára-quedistas em Combate 1961-1975”. Porto: Fronteira do Caos Edit. - Mansilha, J., Mensurado, J., Calheiros, J. et al. 2007. “A Geração do Fim. Infantaria 1954-2004”. Lisboa: Prefácio.

- Moutinho, Carlos Bragança. 1970. “História e Técnicas do Para-quedismo”. Lisboa: Livraria Portugal.

- Serra, Rosa Glória et al. 2014. “Nós, Enfermeiras Paraquedistas”. Porto: Fronteira do Caos Edit.